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Você é poeta?

Por curiosidade, talvez mórbida, talvez acadêmica, talvez pessoal… Possível que todas, estou interessado em saber mais dos escritores por ai a fora, coisa boba, são nove questões. Se der, você pode responder? Principalmente você ai que escreve poesia, poema ou sei lá o que.

 

 

Abraços galera, se um dia isso for pra frente eu faço um formulário oficial bonitinho para ter algo mais palpável. De qualquer forma, divulguem por favor.

Poema sem titulo #1

Ascendo às onze horas da manhã
Presunçosamente ouso viver
Descubro que cada respirar é um ato de vida
Cada acordar uma morte e nascimento
 
Envolto em uma forte dose de morfina
Advinda da capacidade de consumir cultura
Consigo apontar as redundâncias e erros
Que circundam meus bravos atos de existir
 
Pois a simples capacidade de ser Eu
É o confronto que prego à vida e seu fluxo
E a incapacidade de praticar o desapego
E a incapacidade de ser simplesmente
 
Ascendo às onze horas da manhã
Ouso morrer delicadamente
Bêbado no sofá de casa
Às três do outro dia

Chovia nesse dia


Inspiração insólita
É sórdida gota
Que cai em meio a tantas outras
Na escuridão absorta
Das mentes mais loucas
 
Um jovem de capuz
Pisa na poça d’água
Anda através da noite
Pensa em qualquer coisa
 
Um jovem de capuz
Pisa na poça d’água

O conto do bardo e o Dragão

Tinha tomado muita bebida
Na boate onde estava ontem
Tava pensando já na saída
Porque lá só tinha homem
 
Não trepava faz semanas
E não tinha mais solução
Veio a mais gorda das damas 
Deu-me, lá, deveras condição
 
Um bigode digno de Mário
Mais pneus que a Michelin
Eu tirei seu escapulário
 
Para ninguém presenciar
No banheiro falando Ãhm
Naquele dragão a lançar

O bardo nas terras de Strognoff

Após tanta erva ter fumado
De larica eu estava meu caro
Procurando o que fagocitar
Eu pensei que nada ia achar
 
A carne velha da geladeira
Cogumelo vencido sexta feira
Catchup e creme de leite
Conhaque para meu deleite
 
Tudo no fogo a esquentar
No computador fui esperar
Com Dragon Age II a jogar
 
Hawke estava a esculachar
E a comida toda a queimar
A minha larica ia esperar

O Bardo a comprar pão

E lá estava indo comprar pão
Sair no alvorecer com sono
Mas desistir não ia, não
Pois aquele pão tinha dono
 
Pois o caminho eu interrompi
Ao perceber notável acontecimento
Uma nota de cinqüenta eu vi
Amassada sob aquele cimento
 
Peguei a nota e a guardei
E subi escadas e estradas
Acima até que o alcancei
 
O meu relógio fazia tic-tac
Dei o dinheiro às risadas
E comprei um porrão de crack

Ah como eu gosto

 
Ah como eu gosto
Quando o baixo sobe a escala
Quando desce a escala
Quando sai da escala
E a bateria atordoa

 

Ah como eu gosto
Quando o gosto desce
O amargo desce
O meu corpo desce
Da dunkel pela garganta… Adentro

 

Ah como eu gosto
Quando meu corpo a sente ali
Ela nua, se esfregava em mim
 Minha mente torta a enaltecia em nirvana
E minha pele arrepiada se lembra

 

Ah como eu gosto de sentir

Uma vez mais bobo

 
Flertes relançam-se d’água
Embrenham-se no envolto, na mata
Encantam de passos em prosas
De prosas em gostos, em sabores
Acasos

 

Flertes de tênue luz
Sinuoso infinito no azul
Daquele olhar
Flertes dos sons silenciosos
Deliciosos d’aquele gargalhar

 

Admiro meus olhos à luz
Me envolto em brumas grossas
Canto três seres que o amor comeu
Não foi João?

Poesia de cavalo voador

Poesia intelectual
De alto grau
É de mais descuidada noção
De falta e de força

 

Pois o que é dito
Em todos os ditos
De quem anda munido
De tantos argumentos

 

A morte do Belo
De Belero
Que morto jaz
Há tanto que pegasus voa

 

A poesia funcional
Poema música
É morte

 

E que viva Beleforte
Poema desafiador
Voador
Em busca do pico do olimpo
Vagando sozinho no deserto

 

Poema música
Não mais, agora é
Poema trovão
Poema Barulho

Abusada

Dores de lástima
dos olhos azuis
da pequena loirinha
abusada
 
Abusada de sí
dos outros
e da cidade,
abusada
 
Abusada bem alí
a noite
por dois ninguens.
Abusada
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